Encontrava-se agora estirado. Abandonado de si. No sol de um dia e seu seguinte.
Vendo noites, todas inteiras, intactas, intocadas, sem mácula, se alinharem no céu de final de tarde. Qual delas escolher? Nenhuma? Outra?
Ditosos são teus atos espontâneos, geram em si virtudes que nunca lhe couberam. Essas ânsias de vazios que o perseguem talvez também lhe dêem esse ar de graça, de ser gentil para comigo.
Dá traça as bocas que o expuseram. Escolhe verdes louros de cada erro registrado, de cada falha computada. A vida contabilizada. Ativo. Passivo. Caixa. Arquivos mortos que se alastram por um corpo que nunca foi sequer sombra do que deveria.
Vagarosamente tira anel por anel. Um de cada dedo. Os dedos longos e mãos grandes que deslizaram por muitos ombros em direção a lugares mais sensíveis. Olhou atentamente cada dedo. Cada unha. Se perdeu em pensamentos das possíveis marcas que cada uma daquelas unhas produzira. Infinitas combinações de possibilidades. Procura por todo arrastar das horas e estava ali. Todas as horas. Em sua não repetição incontável. Paralelas. O lado de fora, no entanto, estava oco, diferente do que havia sido dito quando para ali fora mandado. Voltar? E se o interior for ilusório. Se ali habitarem monstros ao invés de homens?”
Se correntes frias carregassem um corpo por léguas e depois, o depositassem suave, no fundo de um lugar em si, desistirias de pensamentos tão graves, tão sérios?
Então do alto viu. Lá, de onde acertava seu alcance. E formou-se a névoa de algo que em si quisera. Então amanheceu e o corpo se ressentiu da noite seguinte.
Primooooooo. Adorei seu blog, assim posso colocar um pouco de poesia no meu dia. Você tem muito talento com as palavras. Parabéns
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